quinta-feira, 30 de abril de 2009

Informação contra o “pandemônio”

No final da semana passada, as primeiras matérias sobre a gripe suína começaram a ser veiculadas pela mídia brasileira, que noticiava a movimentação da Organização Mundial da Saúde para discutir medidas em relação a um surto mortal do vírus nos Estados Unidos e, principalmente, no México. Já no sábado (25.04), o governo brasileiro anunciava a formação de um gabinete permanente de emergência para tratar da ameaça.

Ainda que a reação tenha sido rápida em relação a de outros países e que o trabalho esteja sendo feito, é de estranhar o fato de um posicionamento formal à imprensa por parte de órgãos tão fundamentais neste processo quanto a Infraero, a Anvisa e o próprio Ministério da Saúde terem acontecido somente 3 ou 4 dias depois. O comunicado da Infraero informando que os planos de contingência à Influenza estão prontos para serem colocados em prática em dez aeroportos e que os demais aeroportos internacionais também estão preparados, caso haja algum passageiro com suspeita de contaminação, só foi colocado “no ar” nesta terça-feira, 28.

O caso da gripe suína em nada difere do de outras crises, nas quais a comunicação tem que ser ágil e permanente, a fim de evitar ou minimizar alarmismos e outros estragos causados pela falta ou a demora na transmissão de informações. Ainda mais em um cenário no qual o vírus já fez vítimas em pelo menos cinco países – México, Estados Unidos, Canadá, Espanha e Escócia. No Brasil, já são 2 os casos suspeitos e 36 pessoas sendo monitoradas, de acordo com o ministro José Gomes Temporão, que só veio a público em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira. O anúncio da Anvisa sobre a ampliação do monitoramento de vôos vindos do exterior também só aconteceu na terça-feira.

Num momento em que a Organização Mundial da Saúde estuda elevar o nível do surto de gripe suína a um nível de pandemia iminente, as informações ao público devem chegar de forma ainda mais rápida e o mais precisa possível. Ainda que o quadro esteja avançado, nunca é demais comunicar a população sobre o procedimento em caso de quem foi ou ainda vai viajar, a eficácia (ou não) das máscaras, quais as formas de contágio e os principais sintomas.


Maria Selma dos Santos é executiva de Atendimento da LVBA Comunicação.

Um comentário:

Ocappuccino disse...

E agora a OMS alterou o nome da Gripe Suina para H1N1, creio para não diminuir/afetar o consumo da carne de porco, o que já casava preocupação aos produtores.

Abraços,
Mateus d'Ocappuccno