quinta-feira, 16 de abril de 2009

Existe crise na Web 2.0?

Recentemente o mundo web 2.0 iniciou uma discussão em torno de posts patrocinados no Twitter. Os envolvidos eram o jornalista Marcelo Tas, brasileiro com a maior quantidade de seguidores no Twitter, e a Telefônica. Toda vez que ele acha algum link interessante ele coloca uma tag “#xtreme”. É uma estratégia para divulgar o produto de banda larga da empresa.

Vários blogs começaram a questionar a validade de tal ação. Alguns blogs defendiam que o jornalismo deve ser isento, e isto faria com que o Twitter do Marcelo ficasse “tendencioso”. Outros blogueiros não entendiam esta questão da imparcialidade e postavam que o Marcelo Tas tem o direito de expressar suas opiniões e ganhar dinheiro com post patrocinado, se assim ele quiser.

Sem conclusões sobre o assunto, Marcelo Tas continuou com o seu acordo com a Telefônica.

Um parêntesis para discussão: Afinal, a web 2.0 gera conclusões? Não, até porque, por definição, ela permite a expressão individual em um caos organizado que se chama internet. E como cada um tem uma opinião própria, nunca existirá uma conclusão coletiva.
Acontece que, nos últimos dias, o servidor Speedy da Telefônica apresentou sérios problemas e deixou vários clientes sem conexão por 8 dias. E o que o Marcelo Tas tem a ver com isto?

Sabemos que nada. Mas seus seguidores, conhecendo a parceria Tas/Telefônica resolveram “twittá-lo” pedindo ajuda para resolver o problema de conexão que enfrentavam: “Marcelo, você que conhece o pessoal da Telefônica, pede para eles resolverem logo o meu problema”.

Outros começaram a postar mensagens irônicas, perguntando se o problema não era xtreme, ou indicar esta situação para o “Proteste já”, quadro do CQC.

Na sexta-feira da paixão, 10/04, em pleno “pescoção” de páscoa, a Folha de S.Paulo resolveu pedir explicações para o Tas. Recebeu um “não sou porta-voz nem da Telefônica, nem da Pepsi, nem da Skol, de nenhum dos patrocinadores, e que, portanto, não tenho nada a dizer sobre a pane do Speedy”.

A matéria ficou por dois dias entre as mais lidas da Folha Online, mas precisou ser revista. Tas, em um post no seu blog, explica sua versão de todo o fato – desde a ligação que recebeu da repórter para a entrevista até o e-mail que ele enviou ao veículo pedindo retificação da matéria, que gerou um “Erramos” na página da Folha na internet.

Sorte do Marcelo, dos usuários Speedy e da Telefônica que a pane foi solucionada. Mas o núcleo principal desta crise é: será que o público sabe distinguir o jornalista do mundo real do blogueiro Marcelo do mundo virtual?



Valnei Lorenzetti é Diretor de Tecnologia da LVBA Comunicação.

3 comentários:

Ocappuccino disse...

Creio que a partir do momento em que ele se torna uma 'pessoa pública' ninguém deve ter o cuidado de saber quando ele é blogueiro ou quando passa a ser jornalista.

Claro que como qualquer um, ele também tem várias identificações, no CQC é um, em casa é outro, no twitter é outro, mas ele criou uma identidade, uma imagem conceito frente ao público, o qual não tem o dever de distinguir qual Tas é em qual momento.

Como acontece com os atores de novelas que geram sentimentos, expectativas e frustrações nos telespectadores, que quando os enchergam na rua chegam a confundir o personagem com o ator, mas qual a culpa que o telespectador tem? Se quem está entrando na casa dele é o vilão da novela ou o mocinho? Pois como a própria emissora prega é 'a novela da vida real'.

Abraço,
Mateus d'Ocappuccino

Gisele disse...

Acho a discussão muito boa. Talvez inconclusiva mas extremamente pertinente.
Caio Tulio Costa acaba de lançar um livro que reproduz sua tese de doutorado. Sinteticamente o estudo analisa a ética neste "novo jornalismo". A conclusão, igualmente sintética, é que o que vai determinar "o certo ou o errado" é a trasparência - a clareza junto ao público do que é editorial e do que é comercial.
Abraços
Gisele Lorenzetti

Carol Terra disse...

A partir do momento que o Tas aceitou twittar a favor de um serviço, passa a ser automaticamente ligado à empresas. E mais: não existem fronteiras mais entre o blogueiro e o jornalista. Acredito que o Tas tenha errado em aceitar ser o garoto-propaganda no twitter e que a crise tem total coerência em existir. Abraços, Carol Terra (http://rpalavreando.blogspot.com)