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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Comunicação e Democracia: o novo papel das mídias sociais

O nascimento e o sucesso das mídias sociais ocorreram, entre muitas razões, pela necessidade natural do ser humano de relacionar-se em sociedade. Pelas ondas da internet, palavras, fotos e vídeos cruzam fronteiras sem mostrar passaporte. Pessoas de todo o planeta interagem entre si, estão em sites como Orkut, Facebook, Plaxo, Linkedin e tantos outros, e em milhares de blogs e microblogs, trocando informações e arquivos, conhecendo homens e mulheres. Até aí, nenhuma novidade. Entretanto, foi recentemente no ambiente político que as redes sociais mostraram sua nova faceta.

A vitória de Mahmoud Ahmadinejad no Irã, ocorrida nas eleições presidenciais em junho de 2009, foi um resultado polêmico naquele país e mexeu com os brios da população local e de cidadãos em outras partes do mundo. Protestos violentos, prisões e acusações de fraude política foram os motivos do novo presidente iraniano para expulsar jornalistas estrangeiros e dificultar o acesso à internet para minimizar a repercussão sobre o caso. Neste ambiente autoritário, as mídias sociais estão sendo usadas para realizar a cobertura jornalística de fatos importantes e colaborar na construção da democracia. Mesmo sem a possibilidade de confirmação de fatos e de não garantir a veracidade das informações e das fontes, o jornalismo coloca a notícia no ar, promovida pelos protagonistas da situação e também da reportagem.

Os sites dos grandes veículos de comunicação como CNN, BBC e The New York Times não são mais as principais fontes de consulta hoje em dia. Twitter, Flickr, YouTube e muitos blogs pautam a imprensa mundial e divulgam informações atualizadas sobre o confronto no Irã e tantos outros temas. Assuntos como #iranelection estão entre os mais citados e procurados na internet no famoso site de microblog. Direto da fonte, civis e repórteres arriscam vidas em prol da informação para o mundo. Além disso, há pouco tempo foi criado o CitizenTube, um site com o objetivo de permitir a interação de pessoas para postar vídeos relacionados à cidadania, à política e assuntos correlatos. Já está fazendo o maior sucesso, com vídeos de cenas ocorridas nos últimos dias no Irã.

Em proporções bem menores, a semana passada no Brasil foi marcada também por um protesto iniciado na web contra o presidente do Senado, José Sarney. Novamente o Twitter e seus participantes tiveram influência relevante na mobilização de cidadãos brasileiros contra o político, inaugurando uma nova crise em Brasília e no cenário nacional. O debate e as argumentações sugerem a cassação do mandato do maranhense, ou o afastamento das suas atividades, configurando um quadro de engajamento social da população por meio da internet. O que no início dos anos 90 foi feito pela geração dos “caras pintadas” com protestos nas ruas é, de certa forma, realizado hoje em dia pelos caras por trás de computadores e celulares.

A participação política e o engajamento na vida coletiva por parte da esfera civil buscam manter a igualdade dos direitos e da justiça, seja em assuntos de interesse coletivo ou restrito. O papel das mídias sociais nesse contexto possibilita a busca contínua pela liberdade de opinião e pela manutenção da rede de informação como forma permanente de construção da democracia. A cobertura jornalística ganhou novos contornos e aliados. O que acontece em qualquer lugar do mundo não fica mais ali, dentro dos muros. As notícias ultrapassam os limites onde chega o poder e conquistam o mundo com milhares de leitores por segundo, nesta atual sociedade da informação.


Renato Martinelli é consultor de comunicação estratégica pela consultoria SOULSMART, possui mais de dez anos de experiência na área e é autor do blog Comunicação e Marketing Brasil.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Eu blogo, Tu Twitta, Ele wika. Nós RedeSocializamos

As redes sociais continuam em pauta esta semana no Crise & Comunicação. O artigo da Carolina Terra, na semana passada, citou algumas boas experiências de como uma crise pode – ou não – se deflagrar na web 2.0. Esta semana, o colaborador convidado do blog é Mauro Segura, head de Marketing e Comunicação da IBM Brasil, que escreve sobre a importância dos profissionais de comunicação estarem antenados na web 2.0. Os resultados do desconhecimento ou da má utilização dessas ferramentas pode ser bastante prejudicial para imagem e reputação de qualquer organização.

No Brasil, são 54 milhões de pessoas com acesso a internet, 90% delas usam redes sociais. No entanto, a frequência com que a utilizam não é mensurada. 15 milhões estão no Orkut, 365 mil no Facebook e um número não medido de gente está no Twitter. As redes sociais têm um alto potencial de crescimento no número de usuários e os motivos pelos quais as pessoas – especialmente os comunicadores – não devem ficar de fora é o tema do artigo do Mauro.

Cases não param de surgir e experiências recentes, como as eleições no Irã e a promoção do BestShop TV, apontam para um cenário cujas discussões estão longe de se esgotar.

Aproveitem o artigo!

Equipe do Crise & Comunicação


Eu blogo, Tu Twitta, Ele wika. Nós RedeSocializamos
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Já participei de diversos fóruns de comunicação, com muitos representantes de empresas, onde sempre pergunto o quanto eles usam as novidades da web 2.0 em suas empresas. Em todas as vezes o meu queixo caiu, sem exceção. Fico sempre espantado com as respostas. A maioria diz acessar o Orkut e alguns dizem navegar em blogs e... só isso.

Só isso? Só isso mesmo.

O resultado é decepcionante, principalmente se considerarmos que, nestes eventos, participam profissionais e líderes de comunicação e marketing de grandes empresas, que supostamente deveriam incentivar o uso de ferramentas inovadores de comunicação e relacionamento nas empresas em que trabalham. Poucos respondem ter blogs, um ou outro diz ter conta no Twitter e poucos participam de redes sociais além do Orkut.

Verdade seja dita. Ainda existe um número limitado de empresas que permite o acesso livre à internet, MSN, Orkut e outras redes sociais. Isso é um inibidor e tanto. Veja AQUI uma matéria no IDGNOW que fala sobre políticas de restrição de acesso nas empresas. E acesse AQUI o que revela a pesquisa TIC Empresas 2008 sobre isso, que foi divulgada recentemente, em 28/04, e que tem dados interessantes. Apesar disso, ao falar com as pessoas sobre o tema, o principal motivo do acanhamento no uso das ferramentas sociais digitais é quase sempre a falta de tempo, e não problemas de restrição de acesso.

O resultado é frustrante. A percepção é que as áreas de marketing e comunicação não parecem estar liderando e puxando a introdução de ferramentas sociais virtuais nas empresas. E o motivo é simples: a maioria dos profissionais não conhece essas ferramentas. Como liderar alguma coisa se você não usa ou pratica?

A situação deveria ser inversa. Esses profissionais deveriam experimentar muito essas ferramentas em suas vidas pessoais, testar e se arriscar bastante para trazer esse conhecimento experimental para dentro das empresas. Mas isso não está acontecendo, daí a explicação para a acomodação e “mais do mesmo” que continuamos a ver em marketing e comunicação nas empresas. O próprios profissionais dessas áreas não são tão ousados quanto supostamente deveriam ser.

Em resumo, acho que todos os profissionais de marketing e comunicação deveriam abrir contas no Twitter, no Facebook, no LinkedIn, contribuir para blogs de seu interesse e ler livros emblemáticos sobre o tema como, por exemplo, Crowdsourcing, de Jeff Howe (O Poder das Multidões, na versão editada no Brasil) para entender esse novo mundo colaborativo que surge à nossa frente. Viver essa experiência é indelegável.

Tem um elefante passando na nossa frente e tem muita gente que não está vendo.


Mauro Segura é líder de Marketing e Comunicação da IBM Brasil e editor do blog A Quinta Onda.