quarta-feira, 8 de julho de 2009

Em campo minado – por uma carreira sustentável

Você está em crise com sua carreira? Porque está no começo – estagiário, trainee e assistente? Não sabe se fez a escolha certa? Se essa é a sua profissão? Agora é tarde pra mudar! Não sei se quero trabalhar nesse tipo de empresa! Queria usar minha profissão para fazer algo mais social. Questionamentos e dúvidas.

Ou você já esta com mais de 10 anos de profissão, analista sênior, pleno, supervisor, gerente e pergunta: Não sabe se fez a escolha certa? Se essa é a sua profissão? Agora é tarde pra mudar. Não sei se quero trabalhos nesse tipo de empresa? Queria usar minha profissão pra fazer algo mais social.

Ou você já esta estabilizado, diretor e coordenador e as questões devem ser, deixe me ver: Não sabe se fez a escolha certa? Se essa é a sua profissão? Agora é tarde pra mudar. Não sei se quero trabalhos nesse tipo de empresa? Queria usar minha profissão pra fazer algo mais social.

É impressionante como mudam as pessoas, mas não mudam as situações. Nas últimas décadas pude observar uma ansiedade grande por parte dos profissionais com relação à carreira. Será que estamos tomando a decisão certa? Esse talvez seja o primeiro conflito, o momento de angústia que nos coloca diante de vários caminhos e uma só escolha.

Se tivesse que escolher uma figura que representasse essa situação, seria de um campo minado – estamos em algum ponto, ainda não pisamos em nenhuma bomba, mas a qualquer momento isso pode acontecer, a tensão é grande, o desgaste maior ainda e, pra piorar, a vida é por vezes um labirinto de paixões, que temos de administrar. É, meu amigo, se essa não for uma crise, eu não sei como caracterizar ou denominar.

Mas tem solução? Sim. Complexa, difícil, dolorosa, às vezes, e provavelmente a saída é entender que podemos ter uma carreira sustentável. – Lá vem mais uma frase de efeito que acompanha um modismo. A frase pode até ser, mas a lógica não!

Fazemos o que não gostamos. Trabalhamos em empresas nas quais não acreditamos, mas, muitas vezes, o peso do salário é algo avassalador e cruel. Momento de definir se continuamos ou mudamos. Sustentável, aqui, significa: viável, qualificável, possível, que nos dê uma perspectiva de futuro, que não nos leve, aos 40, ao encontro do Rivotril, da Valeriane ou do Lexotan.

Em primeira instância, o que é ter uma carreira sustentável? É planejar com responsabilidade seus movimentos profissionais – movimentos sim, afinal isso é um jogo de xadrez – e fazer o quê se sua natureza pede, sem perder o juízo, é claro.

Vamos ser honestos. Não dá pra mudar de emprego sem que haja uma preparação; é preciso investir na mudança. É preciso definir um caminho. Se não sabe para onde ir, como vai escolher um rumo? Cuidado, você pode cair no poço sem fundo da vaidade e da arrogância ou, pior, da covardia. Não há idade pra mudança, ela tem que acontecer. O medo é um inimigo mortal.

Também não é possível manter-se na empresa sem interesse ou prazer. Continuar reclamando de braços cruzados é chato e deprimente. Estude, faça cursos. Dedique um tempo pra leituras, para bons hábitos culturais, cultura é fundamental. Apresente projetos! Se não querem ouvir, problema de quem não tem essa competência. Lembre-se, o inventor do post-it, foi chamado de incompetente pelo chefe, que disse que jamais aquela bobagem teria algum sentido.

Sustentável ou não, saia do muro, ande, em algum lugar você vai chegar.


Júlio César Barbosa é vice-coordenador do curso de Relações Públicas da Faculdade Cásper Líbero.

10 comentários:

André Tito disse...

Pois é Júlio, essa é uma questão bem difícil: onde queremos chegar? Quando se fala em carreira isso fica mais pesado ainda, pois além de ter seus valores e desejos bem definidos, é necessário encontrar algum lugar/empresa/profissão que seja capaz de lhe remunar para fazer algo que gostamos e, mais do que isso, acreditamos. Essa crise é ruim em muitos momentos, pois nos tira as certezas, mas fundamental também, pois nos leva a tomar atitudes que possam gerar mudança de cenário.

Um bom assunto para ser discutido mais profundamente!

Abração,

André Tito

Mariana Reis disse...

Júlio, Júlio... sempre polêmico!
Onde eu quero chegar?! Assumo que tenho pensado muito nisso ultimamente, mas ainda não tenho resposta.
Talvez o jogo seja mesmo dificil, o caminho vêm apresentando divergências agora. Aprendi com você que o planejamento da vida não é somente importante, é indispensável.
O jogo não muda, quem muda são os jogadores.

A crise, pelo menos, abre nossas cabeças, nos leva para fora da 'caixa preta'... que assim seja!

Camila Luizzi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Camila Luizzi disse...

Quando me apaixonei por comunicação, mais especificamente por Relações Públicas, foi o Júlio quem me apresentou essa profissão.

Crise? Sim, passo por ela. As vezes por estar em empresas não tão agradáveis, outras pelo salário que eles chamam carinhosamente de "ajuda de custo". Esses obstáculos só tem feito com que eu me interesse cada vez mais por RP, que eu leia mais, que estude mais para ser um profissional melhor e capacitado.

Onde eu quero chegar? Naquele poscionamento que o Julio sempre nos dizia nas aulas...

Mayara Romão disse...

Continua fazendo todo o sentido pra mim, que no mesmo dia que você leu me tirou as palavras e me levou à reflexão.
Encontrar a perfeita coerência entre carreira, personalidade, objetivos e benefícios ainda é pra mim, e parece que para muitos um grande desafio.

De qualquer jeito, já dei o primeiro passo..e quem caminha, leva sem ser levado é capaz de mudar e desenvolver.

Anônimo disse...

Olá Júlio,
Por indicação da Ivana Collino, sua aluna na Casper, li o artigo e gostei muito. Especialmente por não conter uma fórmula exata e levar à reflexão, além de dar dicas práticas do tipo: cultura é essencial. Leia, faça cursos, projetos. Acho que é isso mesmo, precisamos traçar a rota e para chegar lá é preciso se enriquecer, se melhorar como profissional e como ser humano.
Um abraço da

Cecilia Cavalheiro
Gerente de Novos Neócios
Qualicorp Corretora de Seguros

Rodrigo Garcia disse...

Bom saber que vou carregar a dúvida do caminho certo pelo resto da vida. Por incrível que pareça, isso me deixa mais confortável. Assim não vou ter tempo pra me acomodar!

Mayra Martins disse...

Fora todas as crises de clientes que precisamos gerenciar, ainda temos que administrar a nossa eterna crise do 'aonde quero chegar e como'. Mas acredito que essa insatisfação parcial seja positiva para sempre nos motivar a querer alcançar um degrau acima.

Boa reflexão. Ela faz parte da rotina de todo mundo, mas é difícil pararmos para pensar no assunto.

Maylime Monteiro disse...

Pois é Julio e caros colegas, estar na profissao que pensamos ser a certa pra nos e conseguir que essa traga um sentido a nossa vida, que nao signifique apenas se levantar, fazer seu trabalho e retornar a sua casa perpassa uma serie de escolhas, renuncias e desejos. A arte de equilibrar pratos, entre o q se deve fazer, o q nao se deve fazer e o q vc quer fazer. O sustentavel se aplica tb ai, algo que sustente vc no sentido de vc se bastar, acreditar naquilo q faz e seguir em frente. Tema complexo esse...

Mirella Amaral disse...

As mudanças, ao mesmo tempo que nos tiram o chão, nos fazem trilhar um novo caminho.
Parabéns pelo texto, Júlio!
Beijos!